Crónicas

Arte de Rua

Sabem aqueles dias quentes de férias, em agosto?
É, geralmente, nesses dias em que costumamos deambular pelas praças, de aragem quente do verão, nas quais encontramos aqueles precoces cantores que tentam ganhar a vida.
Muitos deles, já pintados de um moreno, fruto da intensa exposição solar, soltam os dedos irrequietos sobre as cordas desgastadas daquelas violas sobrecarregadas de autocolantes. Outros limitam-se simplesmente a soltar aquelas vozes roucas que melodicamente vão acompanhando a sinfonia das ondas do mar que rebentam, junto da praia.
Naquele seu jeito de artistas vão reproduzindo variadíssimos gestos. Torcem a cara. Enrugam o rosto. Abrem e fecham os olhos. Gesticulam. Fazem tudo isto, expressando e transmitindo a emoção com que vivem a história que contam.
Alguns deles abrem as malas dos seus instrumentos, para que possam ser recompensados.
Mais do que a compensação monetária, as pequenas moedas que lhes lançamos deveriam ser o reconhecimento pela sua arte, arte de rua. Essa é a mais bonita das artes. Quando alguém consegue “pegar” numa música e fazer-se valer do seu timbre, para que pessoas banais como nós, por instantes, interrompam o seu percurso, comtemplando o espetáculo improvisado.

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