Crónicas

Crianças que nascem a competir

Viver em pleno século vinte e um é uma autêntica competição.
Nos dias que correm, os nossos bebés nascem formatados para ser os melhores.
Sem causa, sem objetivo ou mesmo sem saber o porquê, a sociedade incute a necessidade da perfeição inalcançável.
Começa-se por competir para ser o melhor miúdo, depois pelos vintes e finalmente, pelos empregos, não receando em esborrachar, de forma mesquinha e banal, o outro.
Mas será preciso implementar esta filosofia às nossas crianças?
É assim tão necessário obriga-los a ultrapassar os seus sonhos, deixar as amizades para trás, em prol de uma carreira irreal ou que não lhes trará realização pessoal?
Por mais quanto tempo queremos largar este nosso lado humano?
É certo que errar é humano – não querendo dizer com isto que devemos “andar por aí a falhar, a torto e a direito” – mas cada vez que o homem pretende aproximar as suas capacidades inatas à infabilidade de uma máquina acaba sempre por desencadear uma espécie de “concurso” para ver quem é o mais rápido, ou mais perfeito, ou até o mais lucrativo.
De facto, num período em que o avanço tecnológico exerce sobre a humanidade uma pressão passiva, isto é, uma pressão que não é palpável ou falada, mas que se sente e passa de geração em geração.
Esta é uma ambição caótica da qual não estamos livres.
Qual a solução para este (problemático) futuro?
A solução deverá partir de todos nós. Não é uma prática exclusiva aos pais e avós, educadores ou professores, que geralmente são considerados os culpados, mas sim, de todos os membros da sociedade.
Devemos abraçar a criatividade das nossas crianças. Temos de por um ponto final nestas barreiras da ambição desmedida, tentando erradicar o ato de “castração” das mentes, prodigiosamente, brilhantes.
Tentamos, diariamente, construir um mundo melhor, no qual estamos a dar – ainda em pequena escala – espaço às comunidades LGTB, porque não, também apoiarmos a criatividade dos petizes.
E nesta perspetiva podemos descartar uma porção da culpa, não nas escolas, mas no nosso sistema de ensino. Deparamo-nos com uma educação muito pouco, ou quase nada, prática, e que aposta no uso exclusivo dos manuais escolares e nos métodos de ensino arcaico.
Apesar da adoção destas medidas ao nível do ensino serem maioritariamente, provenientes de interesses político-económicos, as repercussões que esta dinâmica, muito pouco dinâmica, faz surtir são extremos gravíssimos: futuros trabalhadores descontentes que passam o seu dia a olhar para o relógio à espera da hora de saída, ou máquinas do trabalho, sem gostos próprios ou interesses na globalidade, reduzindo um indivíduo a um número.
Por outro lado, em alguns casos, as imposições face ao futuro são provenientes do seio familiar.
Quantos serão os pais que idealização ou forçam o seu filho para determinado curso?
Certamente, ainda serão alguns, visto que as suas frustrações e os seus objetivos inalcançados conduzem à limitação e à imposição dos menores.
Deixemo-nos de querer formar mais médicos ou engenheiros.
Preocupemo-nos antes em formar crianças empreendedores, crianças que são realmente boas naquilo que pretende fazer, pois voa mais alto o pássaro que está livre do que o da gaiola…
Agora, devemos estar atentos a velha máxima: “Nem oito, nem oitenta”. Não devemos criar malandros, mas também não devemos impor limites a um génio.

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