Crónicas

Dias desses 

Chegaram. Chegaram para ficar. O frio, o vento, as tardes nostálgicas em que escurece cedo. Já se mostram as primeiras decorações de natal. Já reluzem, nos olhos das crianças sonhadoras, as luzes e as cores da época festiva. Os shoppings já vestem aqueles tons quentes de vermelho e verde, enquanto nos embalam com o “All i for christmas want is you”. 

Junto às praias, resta somente o rugir do mar ao esmurrar as rochas, espalhando as suas barbas de espuma sobre os pequeninos búzios da costa. 

E mesmo quanto todos se ausentam, ele continua lá. Imponente. Furioso. De voz grossa e rouca. Mesmo sem o sol ou o calor, sem toalhas ou guardas sois, dos grupos de amigos que se juntam na praia, ou dos indivíduos mais solitários que se resguardam junto às dunas. Mesmo sem tudo isso, ele continua lá. No mesmo sítio. Sempre, a toda a hora. 

Por vezes, até sabe bem visita-lo, naquelas tardes de domingo de sol de inverno. 

Dias em que a luz é mais amarelada e enfraquecida, em que a força do vento nos dá um “banho de areia”. Dias de nortada. 

São dias assim, dias sem nome. Dias que não marcamos no calendário. Dias que não suportamos o movimento caótico e as cores vibrantes das superfícies comerciais. Dias em que só nos apetece estacionar o carro nos parques junto à praia, fechar os vidros, esperar que estes embaciem e aguardar pelo por do sol, enquanto fazemos caricaturas e rabiscos com as pontas dos dedos naquele vidro frio. 

Dias desses também sabem bem.

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