Crónicas

Há momentos que ficam para sempre…

Há momentos que não esquecemos, momentos da vida… Existem dias que caminhamos pelos parques de terra batida, enquanto ouvimos aquele estalido das folhas secas, d´Outono já passado, que se vão fragmentando e voando com o vento. Tiramos uma, ou duas fotografias com os amigos, para que possamos acrescentar algo de novo às nossas páginas de Facebook.

Existem momentos que saímos pela porta de casa, embrulhados no frio de novembro, e vamos para os jantares de curso. Mergulhamos na algazarra típica das festas da faculdade. Vivemos tudo e mais alguma coisa. Não é uma “simples” comemoração académica, é muito mais do que isso. É o festejo apressado dos tão desejados dezoito, uma meta que todos concebemos enquanto crianças.

Estamos agora na fase do inquieto frenesim pelas escadas, em caracol, da biblioteca, para conseguirmos concluir todos os trabalhos que nos são impostos até ao fim do semestre…

São mil e uma coisas que constam nesta agitação sorridente dos dezoito. Fazemos história, a nossa história, por memórias e sentimentos que inconscientemente não prevíamos.

No entanto, nessa mesma biblioteca, quando fazemos mais barulho, já não há a típica senhora baixinha, de óculos debruçados sobre o nariz, com as calças de bombazine que dão o alerta da sua chegada, a cada par e passo, dizendo-nos aquele “chiu” do costume, acompanhado pelo gesto dos dedos junto à boca.

É aí, nesse preciso momento, que percebemos que alguma coisa mudou. É evidente. É o momento em que não há senhora, só barulho.

Já é tarde. Já só há ninho, pois os pássaros voaram.

Reparamos que os brinquedos de infância já estão guardados nas caixas de cartão pálido. Os T.P.C.´s passaram à história. O Disney Channel já nem sequer dá a Lilo ou o Stitch.

Efetivamente, já comemos a sopa sem que nos obriguem a isso.

Todos esses momentos continuam cá, porém de outra forma. São memórias que se revivem através dos abraços apertados da mãe, da confiança do pai que nos deixa sair com o carro, nas lutas para convencer o irmão a ir ao cinema connosco, na persistência da avó que nos obriga sempre a comer mais um pouco, …

Todos esses momentos estão cá, mas estaremos nós preparados para os aceitar?

Talvez.

Na verdade, somos obrigados a aceita-los. É a ordem lógica da vida.

Sentimos agora o peso bruto da responsabilidade, mas desfrutamos do novo sabor da liberdade.

Há momentos que ficam para sempre… a infância, a escola, a faculdade…

O seu ponto de encontro é a amizade e o amor, e isso existe em qualquer altura da vida, desde que se cultive.

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