Crónicas

Depois da tempestade vem o Império

Há uns tempos atrás, quando entrei num autocarro, sentei-me ao lado de um casal de idosos que discutia, de forma acesa, a prosperidade do país. No início, recordavam a fome, a guerra e muitas outras adversidades de uma era rígida, contrapondo-as com todos os acontecimentos jubilantes do século vinte e um. Aqueles olhos, cansados pelo tempo, espelhavam a euforia de um Portugal melhor. Um Portugal de reformas e comodidade, de sonhos e oportunidades. Um Portugal do futuro.  Para eles, em jeito pessoano, fora “obra de Deus”.

Talvez Deus queira, o homem sonhe e a obra nasça, a verdade é que a profecia de Fernando Pessoa veio mesmo a concretizar-se. Portugal alcançou um patamar superior. Renasceu das cinzas. Cumpriu-se.

Inicialmente, nos descobrimentos e nas conquistas, agora volta aos palcos do mundo com uma difusão cultural e civilizacional.

De facto, deparamos com um Portugal que regressa ao seu apogeu, conquistando novos títulos e posições político-sociais que elevam o nome do país, ao nível mundial. Um Portugal promissor, no qual o descontentamento social e a crise financeira foi sendo atenuada – ou mesmo vencida, aos olhos otimistas do povo. Passou a tempestade. Instalou-se o Império. Um império precoce, mas que conta com grandes feitos.

Uma das vitórias deu-se em julho do ano anterior, quando os guerreiros da seleção nacional voltaram a reconquistar o território francês, trazendo o troféu do Euro. Uma conquista promissora que revelava uma pequena amostra da força da raça lusitana. Foi uma jornada longa e custosa, mas que refletiu o verdadeiro esforço e a condição humana, para atingir a glória.

Mais tarde, em março de dois mil e dezassete, Portugal volta a ter os holofotes da Europa direcionados para si, quando é considerado um dos potenciais vencedores do Festival Eurovisão da Canção. Refreando a cobiça e o ócio do pódio, pela voz de Salvador Sobral, a “pequena extensão de terra junto ao mar” – como o nos apelida o mundo – mostrou que a saudade é um termo exclusivamente português, deliciando múltiplos países que se deixaram embalar pelo tema: “Amar pelos dois”.

E, apesar destes acontecimentos assumirem uma importância fulcral na história das arcaicas terras de D. Afonso Henriques, Portugal fita, ainda, com olhar sphyngico e fatal, o Ocidente. Não é por acaso, que este ano, a Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto volta a ser escolhida como o melhor destino turístico europeu. À semelhança do ano anterior, em 2017, os estrangeiros optaram, uma vez mais pelo mar salgado, lágrimas de Portugal. Não é de admirar. Quantos de nós não se cruzam com o burburinho frenético dos alemães? Ou com os disparos caóticos das câmaras inglesas? Este é um fenómeno inegável.

Portugal é um país pequeno. É um facto, mas, como dizem: “a união faz a força”.

Se pensarmos bem, o sr. António e a D. Helena tinham razão.

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