Crónicas

A polémica do Supernanny

Adorava conseguir perceber como é que se gera tanta polémica em torno de um formato televisivo, cujo intuito é melhorar a condição familiar.

O Supernanny, programa recente da grelha da SIC tem vindo a ser alvo de múltiplas críticas, não só pelo público, mas também pelas comissões de proteção de menores.

Acho isto inconcebível! É um tema que me revolta solenemente.

Em pleno século vinte e um, temos associações de proteção à criança que condisseram o programa evasivo e desrespeitador dos direitos dos menores.

Mas, o que é isto?

Será a má educação e o desrespeito um direito?

Estamos a falar de uma realidade próxima de todos nós! Quantos de nós já não assistiram a uma birra, um levantar da voz, ou mesmo de um braço, de um filho para um pai, durante as compras no supermercado?!

Se isto é um cenário constante na sociedade atual, gostava de perceber qual o motivo de indignação, quando isto é exibido publicamente.

É certo que está a ser exposta a vida de uma família, mas é preciso entender que na sociedade em Portugal, existem disparidades sociais e culturais, nesta medida cada um recorre aos meios que considera mais ou menos úteis e pertinentes.

Muitos dos pais que recorrem a este formato já não encontram uma solução para este problema. É certo que educação e as regras deveriam ser aplicadas no interior de um lar, mas na verdade não é isto que acontece. Não sendo o caso, temos de lidar com a realidade ocorrente e não fomentar argumentos hipotéticos do género: “e se os pais fizessem isto, ou aquilo…”.

Quanto ao facto de a SIC exibir este formato, acho que é um completo disparate mencionar o interesse negativo do canal neste assunto. Tal como qualquer canal, a SIC, como entidade emissora de informação, têm o dever e obrigação de alertar os espectadores, mostrando o contexto social vivido.

Porém, a verdade é dura e custa muitas vezes a ser aceite, principalmente quando está sentada ao nosso lado.

É certo que o objetivo da SIC e do programa é o feedback do público e as suas audiências. No entanto, o mote deste formato é algo benéfico que tende a melhorar o ambiente familiar das crianças e dos pais.

Todavia, há que considere o programa perverso por expor os principais problemas vividos em Portugal (e no mundo), quando consomem outros formatos que expõe de forma mais calculista e fria as crianças.

Para além disso, estas comissões mostram-se muito cautelosas e receosas do formato, assumindo que este terá repercussões negativas. Contudo, não tentamos nós mostrar às crianças as consequências dos seus atos? Não será isso o processo de crescimento?

Aponta-se o dedo a um programa, mas esquece-se, no entanto, todas as plataformas digitais como Facebooks, Instagrams, e outras redes sociais, nas quais existe uma intensa exposição da imagem de várias crianças para fins comerciais e lucrativos.

É uma vergonha!

Temos de agir com coisas concretas. Argumentos sólidos. Esse é o principal problema.

Neste momento vejo toda a gente a falar deste tema sem sequer o dominar, ou ter o conhecimento necessário para o comentar. Saem-se com um ou outro título de um jornal de fonte não fidedigna, para justificar a sua premissa.

É triste, muito triste.

E para que fique bem esclarecido, isto não é, sem sombra de dúvidas, entretenimento. É um documentário que pretende mostrar o seu valor de verdade, assegurando a sua fidelidade e rigor genuíno do ponto de vista social.

O conhecimento e a ignorância, tal como a má-educação, são ferramentas muito perigosas e cada vez mais estão na mão de quem não as sabe manusear.

Talvez fosse melhor não haver programa e a taxa de crianças mal-educadas desrespeitadoras continuar a aumentar.

Será isso que querem?

Se querem falar deste tema leiam, vejam os debates, tomem conhecimento…

Atirar pedras, quando se tem telhados de vidro nunca resultou.

De facto, seria bem mais fácil se os pais transmitissem os valores certos aos seus filhos, mas não é este o panorama com que nos deparamos!

Temos de agir. E agir, não é continuar com esta defesa desmedida dos coitadinhos que são inocentes.

São crianças. E por isso, merecem ser tratadas com tal, como crianças.

 

 

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