Crónicas

Trindade Terrestre

Estes são os meus miguitos. O Jorge e a Rita. 

Conheci-os apenas no 12º ano. Entrei para o colégio no 11º e só um ano depois os “descobri”. Primeiro foi a Rita. Na sua genuína humildade acolheu-me com um “olá” de boas-vindas. E este encontro poderia ter acontecido muito mais cedo. Só nos conhecíamos de vista. Talvez foi preciso um ano. Talvez, ou melhor, certamente, foi no momento ideal. 

Falo dela muitas vezes. É daquelas amigas fáceis de quem se gosta no primeiro instante. E gosta-se dela por mil e uma razões. Pelo olhar terno, pelo abraço firme, por estar lá a cada telefonema. Nem preciso de lhe dizer o que estou a pensar. Lê-me num abrir e fechar de olhos.   É uma espécie de guru na minha vida.


Depois veio o Jorge. E para falar dele tinha de começar pelo início. Tinha de começar pelas “figas” que fiz para que ele não calhasse ao meu lado na planta da sala. Não o conhecia. Achava-o petulante e convencido. Por obra da professora de matemática – a quem agradeço profundamente este feito – lá ficamos juntos. E sim, foi o destino. Só pode ter sido. Os primeiros tempos custaram, mas no final da segunda semana tinha conhecido o Jorge, um amigo. Aliás, o amigo. Poderia passar o dia a tecer-lhe qualidades e a tentar quantificar a nossa imensurável amizade. Contudo, a expressão “O amigo” diz tudo. Já-lho disse muitas vezes e ele tem plena noção que somos irmãos (só que de mães e pais diferentes). Sabe de tudo o que passa na minha vida. E está nos momentos todos, tal como um verdadeiro irmão. Até naqueles em que não tenho o Rómulo – por circunstâncias e desenvolvimentos na vida. Estamos lá os dois, a dizer “coisas tipo estúpidas”.


E o nome? Trindade Terrestre?! Isso assenta-nos como uma luva! Foi aí que este trio maravilha começou. No memorial. 

Mais uma vez, estas coincidências da vida não podem ser só coincidências. 

Acabamos até por prestar mais atenção à obra. A Rita enquanto Blimunda, o Jorge como Baltazar e eu a fazer de Padre Bartolomeu. Lá nasceu a verdadeira Trindade Terrestre. Só podemos mesmo dizer: obrigado, Saramago! 

E não é que eles acabaram juntos! É verdade. Tal como na obra, às vezes, também faço de vela (como vou fazer hoje ao jantar).

Inconsciente, desde então, as nossas vidas nunca mais foram as mesmas… Estamos ainda mais malucos! Mas juntos. Para o que der e o que vier.

Como contamos sempre que estamos juntos, vai ser assim até quando formos velhinhos. Aí vamos todos para o mesmo lar – se até lá não nos expulsarem…

Estes miguitos são muito especiais!

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