Espreita Aqui

Setembro | Um filme e um livro

Step Outin Style!

Sou nova por aqui, por isso acho que primeiro de tudo deveria apresentar-me. Chamo-me Filipa Batista e tenho um gosto enorme em falar sobre livros e filmes, normalmente faço-o no meu blog e no meu instagram. Porém, surgiu o convite do Miguel Silva para participar nesta rúbrica “Espreita Aqui” no seu blog e não poderia recusar! Assim, pelo menos uma vez por mês, venho cá deixar-vos algumas recomendações selecionadas de livros e/ou filmes de que tenho lido e visto. Espero que desfrutem!!

FILME

A MONSTER CALLS

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2016

Género: Fantasia; Drama; Animação

Realizador: J. A. Bayona

Escrito por: Patrick Ness

Duração: 1h48m 

“Um rapaz procura ajuda através de uma árvore monstro para o ajudar a superar a doença terminal da sua mãe.”

Traduzido e adaptado de IMDb

É raro um filme com fantasia e realidade tocar em mim desta forma, porque todos eles tornam-se exagerados, em algum momento, e tudo o que querem transmitir cai por terra e aí o meu desinteresse manifesta-se. Felizmente, este não foi o caso! 

A fantasia é algo que encaixa perfeitamente nesta história, dando-lhe o devido sentido e coesão. A criança, Conor, é amparada pelo mundo fantástico das histórias inicialmente sem qualquer motivo, porem essa razão é explorada aos poucos com os vários contos que a árvore vai contando todas as noites. Todos esses contos contêm mensagens densas que são dificilmente assimiladas por Conor, pois fogem dos típicos contos que se ouvem. As mensagens são ricas e mostram lições de que, por exemplo não existem apenas pessoas más ou boas, que se deve enfrentar os medos com sinceridade, etc. Essas mesmas lições não são em vão, e são elas que ajudam Conor a enfrentar obstáculos que se opõem na sua vida e que lhe é difícil ponderar e superar. A árvore e Conor formam laços de verdadeira amizade e companheirismo, nada demasiado exagerado ou cliché, onde Conor, aos poucos, esculpe a sua personalidade com valores preciosos.

Temas como o bullying e a morte surgem na forma nua e crua tais como eles são e, novamente, são os contos que a árvore conta que ajudam Conor a explorar alternativas e perspetivas. Finalmente, Conor é desafiado a enfrentar o seu maior medo, a morte, e deixem que vos diga que esplendor foi ver essa parte! Metaforicamente, esse momento, ensina a todos uma lição, mas deixo em aberto para quem quiser ver o filme. 

Não menos importante é a beleza deste filme, em termos estéticos! As imagens do mesmo e o foco da arte é um detalhe que é expressado de forma clara e é ela mesmo que liga mãe e filho. Só e apenas lindíssimo! 

Enganem-se todos aqueles que pensam que este filme é apenas para o público infantil, porque não o é só e unicamente para ele, mas sim para todas as idades, graças à sua riqueza e profundidade no enredo e mensagem. Vejam e deixem-se levar pela fantasia que traz respostas escondidas no nosso ser e por vezes, paz! Maduro e enternecedor! 

Cotação final: 8,5/10 pontos

LIVRO

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★★★★

  Leya – Dom Quixote, 2018

“Em Fevereiro de 2006, os Bombeiros Sapadores do Porto resgataram do poço de um prédio abandonado um corpo com marcas de agressões e nu da cintura para baixo. A vítima, que estava doente e se refugiara naquela cave, fora espancada ao longo de vários dias por um grupo de adolescentes, alguns dos quais tinham apenas doze anos.

Rafa encontrara o local numa das suas habituais investidas às zonas sujas, e aquela espécie de barraca despertou-lhe imediatamente o interesse. Depois, dividido entre a atracção e a repulsa, perguntou-se se deveria guardar o segredo só para si ou partilhá-lo com os amigos. Mas que valor tem um tesouro que não pode ser mostrado?

Romance vertiginoso sobre um caso verídico que abalou o País, fascinante incursão nas vidas de uma vítima e dos seus agressores, Pão de Açúcar é uma combinação magistral de factos e ficção, com personagens reais e imaginárias meticulosamente desenhadas, que vem confirmar o talento e a maturidade literária de Afonso Reis Cabral.

Retirado de wook

Primeiro de tudo, este é um autor português com apenas 28 anos e com uma capacidade de escrita extraordinária. Foi o primeiro livro que li do mesmo e digo-vos que se lê mesmo num trago e com vontade.

A história é baseada em factos reais e relata o crime que ocorreu em 2006, na qual o corpo de Gisberta, um transexual, que foi encontrado num poço de um prédio abandonado na zona do Porto. Revelaram-se como culpados um grupo de adolescentes que contaram o sucedido. Da história trágica sabe-se como, onde e quando a mataram, mas o que aconteceu antes de todo este episódio é uma incógnita. Como resposta surge Afonso Reis Cabral, com esta história que concilia a ficção com os factos ocorridos, culminando neste livro maravilhoso. 

As descrições que o autor faz das ruas típicas portuguesas e da interação do povo, o simples jogar às cartas das pessoas mais idosas, tudo fluiu tão bem que dá gosto ler assim um livro da nossa terra.  Depois a simplicidade da escrita de Afonso, sem floreados e sem filtros mostra-nos a história nua e crua que o próprio criou, pelo que tornou tudo ainda mais real. 

Em relação às personagens, o Rafa, é aquela que mexeu mais comigo de uma forma que eu própria não estava à espera. Para mim, o autor destacou-se com esta personagem, isto porque podemos ver indiretamente o que passa na mente de Rafa e o porquê dos seus actos, não que os mesmos tivessem uma desculpa, mas sim porque há um motivo para qual Rafa se defende e age dessa forma. A sua evolução e constantes dinâmicas da personagem são tenuemente explicitas e que bom é contactar assim com uma personagem tão bem elaborada.

Por outro lado, a Gisberta, é o símbolo da diferença e do estranho que é amparada pelos jovens. Porém o tabu social é mais forte na cabeça dos adolescentes e prevalece até ao fim! Prevalece da forma mais cruel e revoltante que é assim descrita escrupulosamente, devido ao detalhe que Afonso preserva tão bem na sua escrita. 

“(…) pareceu-me justo ela ter levado com uma pedra, já que é típico as mulheres levarem com pedras”

O livro transborda o talento incrível de Afonso Reis Cabral e anseio que o mesmo mereça todos os louros por este trabalho. 

Recomendo a 100%! 

Desejo-vos a todos umas boas leituras e um bom serão de filmes!

Até lá,

Filipa Batista

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