Crónicas

É amor. Só pode ser.

O que é que nos torna tão frágeis?

É a vida? A dureza da vida? O quotidiano? As experiências?

Não. Nada disso! E que se desenganem os espertos e não se façam os descabidos por tolos.

O que nos torna mais frágeis é o amor. É por ser um sentimento tão forte que nos torna tão fracos.

Se é bonito? É! Aliás, é e tem que ser o sentido da vida, mas ninguém pode negar que é o que nos torna fracos.

É o que nos faz vacilar. É o eco perene que nos soa na mente, quando temos de tomar uma decisão. É uma mistura de mil e uma coisas que não são palpáveis.

É um medo profundo. Se não o temos passamos a vida em busca dele. Se o temos receamos perdê-lo. E sim, quem ama sofre!

Sofre, porque para além de o poder perder, pode falhar. Todos nós falhamos no amor. Não estamos sempre lá. Não ouvimos sempre até ao fim. Não estamos as vezes suficientes. Não o dizemos.

E não se cinjam ao amor da cara metade. O amor é mais do que isso. O amor é amizade, é a família, é tudo e todos que nos fazem vibrar. São os amigos que abraçamos e sabemos que nos vão carregar. São a família que nos orienta e nos prepara para a estrada. São muita coisa, mas são também o único motivo pelo qual o amor me parece menos bonito. Sei que lhes falho. Sei que lhes vou faltar. Tal como me faltarão a mim.

Não é propositado. São aquelas coisas da vida. As exigências.

O mais incrível de tudo é que sabemos disto. Sabemos que nos vamos perder nesta realidade. Virão momentos em que seguirei pela esquerda, mesmo quando o coração for pela direita. Não vou estar lá. Vou estar ausente.

Tranquiliza-me saber que me hão de perdoar. E farei, exatamente, o mesmo. São coisas pequenas, difíceis de escrever (ou entender). Mas nessas falhas todas penso neles. Eles são a minha âncora. O meu impedimento. São aquilo que deixa saudade.

É nostálgico? É. Porém, é ainda mais bonito.

É a história, a nossa história.
A história que decidimos escrever e traçar. Aquela que entendemos ser a certa, assim como as pessoas. Se forem as certas vamos até ao fim do mundo para as ver. Para estarmos ali, olhos nos olhos. De corpo e alma. Numa ligação tão forte que chega mesmo a aquecer. 

E isto é tão raro. Tem de o ser, caso contrário não daríamos tanto valor. Não saberia ao mesmo. Aquelas trocas de mensagens não seriam tão intensas. Os comentários das fotos não seriam tão aconchegantes. As lágrimas não eram tão sentidas, na ausência. As promessas de querermos estar juntos até velhinhos não seriam tão verdadeiras. 

As pessoas, de quem gostamos, fazem-nos sentir esta instabilidade toda, no entanto, trazem também uma vontade febril e intensa de querer viver a vida a cada segundo. Queremos agarrar tudo com unhas e dentes. Até ao limite. Até ao sol se pôr. Queremos tudo. O mundo. Sobretudo quando a juventude ainda nos passa pelas veias. 

Queremos fotografar cada momento, prolongar cada viagem, cada jantar, cada conversa. Esticar as piadas, as chamadas que já levam mais de uma hora. Queremos criar memórias. Muitas. Bonitas. Menos bonitas. Memórias nossas, só. 

E é por isso que elas também nos magoam, porque são efémeras. Curtas. Vagas. Não se repetem. Resquícios fugazes que se vão perdendo nas páginas do tempo.

Se é amor? É! Só pode ser.

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2 opiniões sobre “É amor. Só pode ser.

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