Crónicas

Dizer mal

Confesso que me preparei muito para a esta crónica. Preparei-me para não ser evasivo. Preparei-me para não ferir susceptibilidades. Preparei-me para não dizer mal.

E a verdade é que o “dizer mal” é um conceito muito ténue. 

Tinha este post idealizado há quatro meses. Foi no começo do verão. Deixei-o maturar. Deixei-me maturar. Criar consistência. 

No tempo que foi passando, fui acrescentando mais tópicos que queria abordar. O “Dizer mal” foi crescendo. Em todos os sentidos. Tanto na minha ideia conceptual do texto que queria desenvolver, tanto no sentido literal do “dizer”.

Ainda não sei como será a sua aceitação. Não sei será como o post sobre o amor. O objetivo, tal como o do anterior, não é, de forma alguma, chocar. Não há verdades, nem razões absolutas. Só há uma coisa: reflexão.

O futebol foi dos primeiros motivos que mexeu comigo. Uma matéria que não domino, mas que me inquieta cada vez mais. Só me inquieta por uma simples razão, o comportamento humano. Cada vez mais as pessoas “vivem” menos o futebol. Ou se o “menos” não é o termo correto, entenda-se como “de uma forma menos adequada”. Atualmente, o peso daquilo que se passa fora do campo é muito superior à competição desportiva. Liga-se a tudo. Entramos numa era em que o fair play desapareceu. E se há coisa que me deixa absolutamente perturbado são as publicações ofensivas,  brejeiras e sem conteúdo. Não há um único dia em que as redes sociais não sejam “inundadas” pelas fotos, ou comentários pejorativos. É, no mínimo, triste. São estes os valores e as filosofias que a nossa “sociedade” espelha. E é esta a realidade. Fotos ofensivas e sem graça. Montagens com o presidente do clube x, ou y. Ofensas atrás de ofensas. Sem conteúdo, sem argumento válido. Pura condenação pessoal. 

O que gostava mesmo de perceber é se quem o faz se sente melhor? Só pode. Não há outra razão. Não sei se se sentem maiores, mais espertos. Ainda estou a tentar perceber…

Já que vou “levar nas orelhas”, tenho de falar de outra coisa que me tira, completamente, do sério. Essa sim, irrita-me a forma mesquinha como a julgam. E só podia estar a falar da área que tanto gosto e acredito: a televisão.

Há uma necessidade inexplicável de “ofender” a televisão. Tudo o que é conteúdo não jornalístico – aquilo a que se chama entretenimento – é alvo de críticas. Os programas da manhã (daytime), os realty-shows, os programas de domingo à tarde, … 

Tudo, tudo é motivo para crítica. Qualquer coisa que passe na televisão portuguesa é desvalorizado.

Antes de poder explicar este meu “desassossego”, vou contextualizar para que todos possam entender a situação, antes de lhe apontar, deliberadamente, o dedo. Portugal é um país com um índice de envelhecimento muito elevado. Simplificando, há muita população idosa. Muitos deles que não têm família, amigos, vizinhos, ou mesmo alguém que lhes dedique vinte minutos de conversa. Nesses casos, aquelas caras que lhes entram pela televisão, durante três horas, na manhã, ou na tarde, são a única voz que ouvem. São a sua companhia. Porque a televisão também é isso, companhia. E este argumento vai “caindo” a passos largos. A amplitude dos públicos têm vindo cada vez mais a aumentar. Não são só os “velhinhos” que vem o programa da manhã!

A banalidade que apontam ao entretenimento é tão mesquinha. O entretenimento é dos campos mais duros da comunicação. É muito trabalhoso. É rígido, rigoroso. E devia ser-lhe atribuído o merecido valor. 

Mas verdade seja dita, por muito que se critique, toda a gente sabe, viu, ou acaba por espreitar. O estereótipo do “eu não vejo essas coisas” é muito irreal. No dia seguinte, tanto o advogado, como o médico, o senhor da mercearia ou qualquer trabalhador de uma determinada profissão sabe do que se fala.

Todos pensamos de forma diferente. Aí é que está a originalidade. O que é triste é a forma como se julgam as coisas. A necessidade de diminuir o próximo. 

Há lugar para todos. Para se gostar, ou não. Temos igual direito de escolha, felizmente. Só não temos o direito de julgar ou depreciar. E mais importante de tudo, não se esqueçam que por algum motivo temos apenas uma boca e duas orelhas. Talvez seja para não dizermos tão mal…De resto, ser feliz é o melhor remédio.

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