Crónicas

É o futuro a acontecer

O Stan Lee foi a personalidade de quem mais se falou ao longo da semana. Tinha 95 anos. Ao contrário das personagens que criou, não era imortal. Falou-se muita coisa sobre ele. Artigos e mais artigos. Posts, imagens, mensagens e agradecimentos. No meio desta informação toda descobri, hoje, uma frase do Stan que desconhecia:

“I used to be embarrassed because I was just a comic-book writer while other people were building bridges or going on to medical careers. And then I began to realize: entertainment is one of the most important things in people’s lives. Without it they might go off the deep end. I feel that if you’re able to entertain people, you’re doing a good thing.”  

Foi retirada do The Washington Post. Como referi, não sabia da sua existência, muito menos de que era da autoria do Stan Lee.

Não o tinha (só) como o velhote simpático dos cameos dos filmes. Já o tomava como alguém que me conhecia. A mim e aos milhares de fãs das suas criações. E conhecia-nos porque criou histórias que nos inspiravam. Fazia sonhar. Perspectivava-nos uma realidade mais utópica, mais justa. Um mundo no qual as pessoas ainda podiam ser salvas. Um mundo em que ainda existiam heróis.

Quando li esta frase senti que ele sabia muito para além disso. Senti a partilha.

Durante muito tempo eu pensei daquela forma. Pensei que aquilo que idealizava para a minha “futura profissão” não era tão séria como as outras. Pensei e foi me dito diversas vezes. Houve muitos “nãos”. Muitas vozes que me diminuíram.

A sociedade ainda não está pronta para (reconhecer) o entretenimento. Gosta de o consumir, mas não admite. Pior do que isso, não valoriza quem o faz.

E depois o que é que se faz? Desistir? Nada disso. É nadar contra a corrente.

A Marvel esteve às portas da falência. Foi no final da década de noventa. No entanto, desse capítulo mais negro quase ninguém se lembra. Já dos filmes do universo cinematográfico Marvel, não podemos dizer a mesma coisa. Podem até nem vê-los, mas todos sabem o que é. Todos sabiam quem era o Stan. Sabiam porque a coisa até correu bem. Estava na fase “boa”, a de colher os frutos.

E se há legado (para além de todo o património das comics) que o Stan possa ter deixado é esse: a persistência. A persistência de quem aposta no sonho, no gosta e acredita.

Ele acreditou, entreteve. Não deixou que as pessoas chegassem ao fundo. Fez uma coisa boa. E isso, faz-me acreditar que quero ir pelo caminho certo, porque irá ser uma coisa boa.

E pensando bem na sua morte, o Stan tinha 95 anos. Foi feliz. Fez muita gente ser feliz. Teve uma vida repleta.

Mais do que a perda é também um sinal do tempo a passar. Ou então, se quisermos ver de uma outra forma, é o futuro a acontecer. Esse sim, virá sempre. O futuro.

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