Crónicas

Até já

Pessoas. Ui, ui, o que as pessoas fazem. No post de hoje decidi falar sobre as maiores loucuras que me ocorreram desde que cheguei a Inglaterra, porque o ser humano é uma espécie tão incrível. No momento que este post sair já estarei em casa quentinha no meu sofá três semanas e por isso decidi que não vou escrever posts durante estas semanas já que quero falar sempre sobre a minha experiência aqui e em Portugal nada ou pouco se passa na minha vida.

Logo no segundo dia em Middlesbrough eu, a minha mãe e a minha irmã fomos ao café na biblioteca, um edifício completamente incrível, com quatro andares, 100 a 200 computadores em cada piso, livros de todos os géneros, desde ficção a livros sobre Microbiologia. Passando à frente a minha rant sobre o sonho que é a biblioteca da universidade,  quando fomos pedir o nosso café quem nos atendeu percebeu que não eramos inglesas principalmente porque a minha irmã não fala inglês e estávamos a falar português com ela.

Esta senhora perguntou-nos então de onde eramos e se eu vinha estudar para Teesside, aquelas perguntas básicas de ‘small talk’, que a minha mãe adora e vive para. Quando dissemos que eramos de Portugal, a senhora disse logo que também tinham uma colega de Portugal que por acaso estava a trabalhar naquele momento, chamada Sara. A Sara vive ali em Middlesbrough com a sua filha, que estuda em Teesside também, são naturais do Algarve e claro que a minha mãe começou a falar com a Sara e a desenvolver aquela relação de mãe para mãe.

A Sara chegou até a levar umas coisas para Portugal que eu queria dar à minha família e trouxe-me um caderno que consiste em textos de todos os meus amigos e familiares a desejar sorte e a dar um empurrão emocional quando mais preciso dele. Quando dizem que existe um português em cada canto do mundo, acreditem que é verdade. A outra coisa mais clássica e que eu nem sabia que era realmente verdade é a fantástica pergunta que vem a seguir a dizer que sou de Portugal: ‘Wow, Espanha, não é? Como é que é viver lá?’. 🙃🙃🙃🙃🙃

Sempre achei que a coisa das pessoas acharem que Portugal é em Espanha era uma espécie de mito, mas não, é completamente real. Se eu ganhasse 1€ por cada vez que me perguntaram se sou de Espanha, ui, já podia comprar outro par de sapatilhas que não preciso de todo. Quando estava à procura de souvenirs para levar para a minha família fui ao MIMA (Middlesbrough Institute of Modern Arts) para ver se encontrava algo lá.

Uma menina que trabalha lá perguntou-me se precisava de ajuda e eu disse-lhe do que estava à procura, claro que de modo simpático ela perguntou-me de onde era, quando lhe disse descobri que ela foi visitar Portugal o ano passado com os seus amigos, foi a Lisboa e Sintra e amou. Quando me fui embora até agradeceu em português. Quanto À loucura que são as pessoas inglesas tenho umas quantas histórias do meu trabalho.

Como já disse (acho eu), trabalho no restaurante da Associação de Estudantes da Universidade e estou na cozinha a ajudar na preparação e serviço de pequenos-almoços e almoços. Como devem saber existe um pequeno almoço tipicamente inglês que consiste em duas torradas, feijão cozido num molho de tomate, salsicha, bacon, ovo estrelado ou mexido e hash browns, que são feitos de batata e cebola e posteriormente fritos. Como extras podem pedir morcela de arroz e cogumelos. E sim, os ingleses comem isto às 9 da manhã. Como? Não faço a mínima ideia.

A opção vegetariana deste pequeno-almoço é as torradas com feijão, cogumelos, hash browns e tomate no forno. Não vos estou a contar este menu todo porque sim, a primeira história tem haver exatamente com isto. Chegou um pedido de um pequeno-almoço vegetariano com um extra. O que era este extra? Morcela de arroz. Eu e a Jan, uma das catering managers, ficamos estupefactas. Como vegetariana sinto que de tudo o que podemos pedir como extras, morcela de arroz é provavelmente a pior já que é essencialmente feita de sangue de porco.

Mas bem, não estou aqui para julgar ninguém claro, acho simplesmente insólito. Outro pedido que me aconteceu foi em plena hora de muito movimento vir para trás um hambúrguer de frango frito que eu tinha servido. Achei logo que poderia estar cru e isso seria um grande problema, mas não. O pedido veio para trás porque o rapaz que tinha aquele hambúrguer estava com os seus amigos e disse ao empregado de mesa que o seu frango era mais pequeno do que os dos seus amigos.

Sim, exatamente isso. Sendo parte do trabalho de qualquer pessoa que serve e/ou faz comida para o público somos ‘obrigados’ a satisfazer o desejo dos clientes de forma a deixá-lo o mais satisfeito possível. Então fritamos outro peito de frango para substituir o que supostamente era mais pequeno. Na realidade todos os peitos são iguais ou o mais parecidos possíveis, porque vêm de um fornecedor que os produz em massa.

Espero que tenham gostado, só me resta desejar isto: Merry Christmas and a Happy New Year!

See you in January,

M.

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