Crónicas

Estar longe, estar bem

Já não me lembrava de escrever. Já há muito que não o fazia. Nem com a mesma regularidade. E pode até parecer descuido, mas trata-se apenas de um momento de libertação. É um período muito pessoal, muito íntimo. Paz e plenitude é tudo o que me corre pela cabeça, agora. Quem me rodeia vê-me apático. Já reclamaram por não estar lá, sobretudo os amigos. No entanto esta é uma fase de grande mudança particular, em que só o sossego me consola. 

Todos precisamos e temos estes ciclos. Por muito que expliquemos ninguém os percebe. Não se vê  a pressão emocional e o desgaste afetivo. Ninguém nos mede a força de vontade nem a convicção da mudança… talvez por isso sejam épocas tão incompreendidos aos olhos alheios. 

Este é o meu. E estou feliz por estar nele. Só nele, com a minha calma. Para além dela carrego ainda uma coisa mais satisfatória: força. Sinto-a todos os dias quando ponho os pés fora da cama. Apesar de não fazer muita coisa palpável, interiormente sinto estar numa mais maiores obras da minha vida. Uma criação derradeira, na qual sou o único mecenas. 

Estou longe. É certo. Todavia nunca estive tão perto. Perto do que quero ser. Perto daquilo que há muito me quis tornar. Perto de uma satisfação que só depende de mim. E não há melhor alegria, ou conquista do que essa. 

Por todos os motivos do mundo pressentia esta “transformação”. Sim, transformação. Não é uma mudança. É uma restruturação do âmago. Farejava-a desde o final da faculdade. Embora não a antevisse, percebi que chegou no tempo certo. Aliás o tempo traz a tempo o essencial.

Só se pode melhorar o mundo se se melhorar o ser. E quero muito melhorar o mundo…

Pode mudar muita coisa. O caminho. A direção. A convicção. O ânimo. O que não pode mudar é a força. Essa é nossa. É o que nos leva a onde temos de chegar. Só ela. Vem daquilo que sentimos. Vem daquilo que pensamos. Vem de onde quisermos que ela venha. Racional ou emocional. Cada um escolhe a sua, mas é a força. Sempre. Eu escolhi a minha. E esta ninguém me tira. 

Agora é hora de sair. De findar este ciclo. É hora viajar. E não sei porque, antes de cada viagem a minha vida dá sempre uma ligeira volta. Há algo que muda. Normalmente costuma ser ao contrário, mas eu sou casmurro. Sair estes dias aqui do nosso cantinho vai ser bom. Domingo, quando entrar naquele avião há, certamente, uma convicção que terei. Estarei lá porque quero, porque consigo e porque quererei voltar. Isso chega. 

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