Crónicas

Até já, Londres

A saída é a única certeza que há. Hoje saio. Volto. Torno a casa. À minha, à do coração, à que me recebe todos os dias.

Gosto muito de viajar, porque como já disse, a ida é o que me faz desejar a vinda.

Hoje deixo Londres. Deixo cá muita coisa. Levo ainda mais. Levo sobretudo a certeza acrescida de que as pessoas são aquilo que confere magia aos locais. As viagens são as pessoas. Londres é as pessoas – e acreditem que eu tive as melhores. Podíamos até construir uma cidade exatamente igual, noutro canto do mundo. Um molde arquitetônico rigorosamente semelhante. Mas se não pusermos lá ingleses a coisa não vai ser a mesma. E isto é aplicável a qualquer país.

Do outro lado do mar espera-me a rotina, à qual já estou ansioso por voltar. Sei que parece estranho, mas a saudade também é isto.

E porque já o queria ter divulgado há mais tempo, há ainda uma outra grande prova que trago das terras de sua majestade: há coisas que têm mesmo de acontecer. O acaso não pode existir. Cada vez mais tenho certezas disso. Na sexta feira quando estava em Windsor passei por um parque no qual não senti grande proximidade. Ao passar li uma frase que mexeu comigo. A minha mãe disse duas vezes para a fotografar e eu – já cansado e impaciente – decidi seguir em direção ao carro, alegando que “não era preciso, não me iria esquecer”. Foram estas as minhas palavras. Por uma coisa qualquer a que não posso chamar acaso, devido à força desta situação, voltamos ao parque para um pic-nic. Sem reparar, sentamo-nos exatamente nesse banco. Encostei-me e senti um desconforto nas costas. Era a tabuleta com a frase, que há instantes atrás deixei passar sem registo. Aí registei. Quando fui ver com atenção, aquele simples banco de jardim era em homenagem a um tal de Milan Patel. Desconhecia. Julguei ser um escritor indiano. Revi melhor a tabuleta. Tinha nascido exatamente no mesmo dia que eu. 17/07/1999. Estava gravada na tabuleta. O Milan já não está cá. Partiu muito cedo, no entanto ainda me acrescentou algo. Fez com que a mensagem que lá estava me pesasse ainda mais. Porque tenho – e todos temos – obrigação de a honrar. E lá… só dizia uma coisa:

“Never say goodbye because goodbye means going away and going away means forgetting”

Obrigado, Londres (sobretudo a quem fez com que esta cidade fosse mágica).

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