Crónicas

Crises de Inspiração

Nunca ninguém me explicou verdadeiramente de onde vêm as palavras. Podemos ir pelo caminho da lengalenga cantada, pela ode à inspiração e pelos estados de espírito – que aqui entre nós, não são assim tão ridículos quanto isso, porque todos temos momentos e timings produtivos diferentes. 

Nunca sei como as definir. A elas. Às palavras. Às que surgem e às que me falham. Sim, tenho noção do que são teoricamente, mas a forma como surgem é o que me intriga. Há alturas em que não me param na cabeça e dá-me uma espécie de overdose de ideias que quero partilhar. Talvez seja do tema, do impacto que o assunto me provoca, ou mesmo só do estado do tempo. O que não percebo na verdade é a arbitragem com que o meu cérebro regula a sua predisposição para escrever. Tal como agora, porque raio usei uma frase tão complexa só para dizer que há momentos em que escrevo mais e outros menos… Enfim, metaforicamente falando – e lá vou eu complexificar o que poderia ser uma escrita simples e intuitiva – não percebo esta necessidade tão irregular de partilha. E digo partilha pois é assim que entendo a escrita. Pelo menos a minha, onde me exponho, onde coloco um pouco do meu eu e do que é meu. E é difícil perceber e passar temporadas sem querer partilhar, tendo depois estes devaneios em que me apetece publicar três ou quatro posts. 

Se calhar é por isso que a escrita é assumida como algo muito pessoal. Por ser irregular. Por não ter data, hora, ou mesmo calendário predefinido. Por não depender de nós, mas de tudo o que está em volta. Por tudo o que está em nosso redor depender de nós. Por escolhermos viver à direita, ou esquerda. Pelas nossas opções e princípios. Pelo que queremos, ou entendemos querer. Pelo que somos, ou nem julgamos ser.Pela facilidade com que ela assenta na liberdade castradora dos nos nossos pensamentos. Isso é escrita. É ser livre, estando sempre confinada ao gosto do autor. É ser impactante para quem a entenda e, simultâneamente, indiferente a quem o gosto lhe é alheio, ou o tema irrelevante. É ser tudo, correndo o risco de não ser nada. 

Hoje, para mim, foi tudo. Escrevi. Posso até nem ter feito o melhor texto. Posso até nem ter sido criativo, aliás fui até complicado e antagônico. Resumindo, escrevi o que entendi, senti e experienciei neste instante. Talvez não o sinta agora, ou amanhã. Não sei. Ninguém mo garante. Só a escrita o provará, quando me voltar à cabeça e com aquilo que voltar a escrever. Poderá ser uma crônica profunda de fazer chorar as pedras da calçada, um desabafo incompreendido, ou as célebres declarações de porrada do Miguel no mundo. E se for só uma crítica de uma música, ou até uma receita mais fit do dia-a-dia? Pois… ainda ninguém o poderá garantir. Quem sabe se for ao cinema ainda haja uma reflexão.

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